Fábrica da Nissan: não há nada que o Governo possa fazer
Passos diz que decisão se prende com razões de mercado e não com as condições oferecidas por Portugal
- PorRedacção Vanessa Cruz
- 2011-12-13 17:47
Não há nenhuma medida que o Governo português possa tomar para alterar a decisão da Nissan, de suspender o investimento
numa nova fábrica de baterias em Aveiro, disse esta terça-feira o primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas, durante
uma visita à Autoeuropa.
Pedro Passos Coelho explicou que, segundo comunicou a própria empresa, o adiamento do
investimento se deve à conjuntura externa, que faz antever vendas menores. «Não quer dizer que não se vá concretizar»,
disse, lembrando que o projecto pode ser retomado quando as circunstâncias melhorarem. E frisou ainda que o projecto não foi
cancelado nem há a intenção de ser deslocado para outro país.
O Governo abordou a empresa para saber se havia alguma
coisa que pudesse ser feita para ajudar a inverter a decisão, mas «a resposta que obtivemos foi que [a decisão] não tinha
a ver com Portugal», mas com a conjuntura global e não teve também nada a ver com condições contratuais ou falta de incentivos
fiscais.
«Não há incentivos nenhuns, nunca chegou a ser assinado qualquer acordo» e «não há nada que nos confira
o estatuto de reclamar o investimento pela empresa», afirmou, em linha com o que já tinha explicado o presidente da AICEP.
Os jornalistas questionaram ainda o primeiro-ministro
sobre o fim dos incentivos à compra de carros eléctricos, que poderia ter pesado na decisão, mas Passos credita que não: «o
investimento não era destinado ao mercado português, e sim ao mercado global». Logo, mesmo que as vendas baixassem em Portugal,
isso não prejudicaria o mercado da fábrica.
Os mesmos argumentos tinham já sido esgrimidos pelos secretários de Estado dos Assuntos Fiscais e da
Energia, reconhecendo que não existe mercado suficiente para uma quarta fábrica de baterias e que Portugal não pode conceder
benefícios fiscais à unidade fabril, devido ao acordo assinado com a troika.
De qualquer modo, Passos Coelho espera
«sinceramente que [o investimento] se possa vir a concretizar e se o Governo puder de alguma maneira ajudar a convencer
a empresa a antecipar as suas decisões, com certeza que, se for legítimo e se for num plano meramente competitivo, se
estiver ao alcance do Governo, o Governo se esforçará para que esse investimento possa vir para Portugal».
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