Sócrates: «Telefónica falhou ao desconsiderar Governo»
Primeiro-ministro explica, em artigo de opinião no jornal «Público, o uso da «golden-share» para vetar negócio da Telefónica. E ao «Financial Times» critica actuação da Telefónica
- PorRedacção
- 2010-07-01 09:28
«O Governo fez o que devia fazer para defender os interesses estratégicos de Portugal e da Portugal Telecom (PT)». É assim
que José Sócrates inicia um pequeno artigo de opinião publicado esta quinta-feira no jornal «Público».
Depois do
uso polémico da «golden-share» para vetar o negócio da Telefónica, que continua a insistir na compra da Vivo, o primeiro-ministro
justifica no «Público» a opção do Governo: «A PT é uma empresa muito importante para o País. E a participação da PT na Vivo
é um activo estratégico de sucesso no mercado brasileiro - é mesmo a empresa de telecomunicações nº 1 no Brasil. Sucede que
a internacionalização da PT e a sua presença no Brasil é absolutamente fundamental para a economia portuguesa».
Por
isso, Sócrates diz comprender «muito bem o interesse dos espanhóis da Telefónica em comprar uma empresa tão boa como a Vivo,
tal como compreendo os interesses financeiros dos accionistas da PT em obterem ganhos de curto prazo».
Mas, frisa
o chefe do Governo, «ao Estado Português não compete defender os interesses das empresas espanholas, nem interesses financeiros
de curto prazo - mas sim os interesses estratégicos do País. E a verdade é que esta proposta não convenceu o Estado, não convenceu
o Governo».
E por isso, garante: «Ninguém atropelou os direitos legítimos e até compreensivos de outros accionistas.
O Estado limitou-se a não permitir que os seus interesses fossem desconsiderados e ignorados e afirmou-os no quadro dos estatutos
da empresa que sempre foram reconhecidos por todos os accionistas».
«Ora o Governo - pelo menos este Governo - não
abdica de nenhum instrumento disponível para defender os interesses estratégicos de Portugal. Se alguém não sabia disso, agora
ficou a saber».
«Telefónica falhou ao não ter em consideração a posição do Governo português»
Já em
entrevista ao «Financial Times», o primeiro-ministro vai mais longe e fala da Telefónica em tom de crítica: «A Telefónica
estava enganada se acreditava que podia seguir com a oferta sem ter em consideração os interesses estratégicos expressados
claramente pelo Governo português».
Admitindo que a golden share não é para usar a qualquer hora, José Sócrates
lembra que «foi a primeira vez que usámos e fizemo-lo porque a Telefónica falhou em ter em consideração a posição do Governo
português».
Para as repetidas críticas de Bruxelas, o primeiro-ministro também tem resposta: os direitos especiais
nas empresas de telecomunicações são, para o chefe do executivo, «um bom instrumento regulatório», bom para limitar «a liberalização
total da economia».
Opinião diferente tem o próprio «Financial Times». Depois de ontem escrever que a «estupidez
colonial não morreu» em Portugal, escreve novamente esta quinta-feira que «o governo português usou a sua golden share
anacrónica e em breve obsoleta para vetar a tentativa de compra da Telefónica».
Na coluna LEX, na última página do
jornal, onde todos os dias são analisados temas da actualidade, o jornal aponta possíveis razões para a atitude do Governo:
«ou pensa que o negócio seria mau para a PT, ou houve uma zanga nos bastidores ou porque quer manter um campeão português
no Brasil».
«Todas estas parecem péssimas razões para lançar confusão num negócio e deitar fora a própria credibilidade»,
pode ler-se na coluna. O jornal dá ainda razão aos accionistas que estão zangados com o governo português.
[Notícia
actualizada às 15:11h com declarações do primeiro-ministro ao «Financial Times»]
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