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Teixeira dos Santos: «Estas privatizações vão ser mais difíceis»

Vão gerar conflitos políticos e sociais mas, «não há alternativas», acredita o antigo ministro de José Sócrates

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Para o ex-ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos, a privatização de uma empresa «é sempre um choque», porque obriga a um maior «rigor e eficiência». Mas o responsável não tem dúvidas: «Não há alternativas».

«As privatizações têm de ser feitas não porque está no memorando da troika, mas porque não há alternativas», disse o antigo governante numa conferência sobre o tema, organizada pelo ISCTE.

E justificou: «O Estado não vai conseguir no futuro suportar as exigências financeiras das empresas e mesmo que estas empresas não dêem prejuízos o Estado precisará sempre de injectar capital e essas injecções implicam maior endividamento», o calcanhar de Aquiles do Estado português.

Isto no mesmo dia em que Lobo Xavier disse não ter «nenhum problema em admitir uma privatização parcial da Caixa Geral de Depósitos».

Já para Teixeira dos Santos, as privatizações que estão na calha por exigência da troika - seja na área da energia, telecomunicações e transportes - serão «das mais difíceis».

«Creio que estamos a entrar numa fase de privatização que será das mais difíceis porque mexem com empresas onde se calhar os interesses políticos estão mais presentes» apontou, dando o exemplo da RTP e dos transportes. Interesses que vão gerar «um clima político pouco propício à privatização», num processo que «vai gerar conflitos de natureza social e política que não será fácil resolver».

Seja como for, Teixeira dos Santos admite que o Estado deve vender as participações, mas continuar a ter um papel nas empresas, «não como proprietário, mas como regulador». Em casos específicos, como o da água, pode possuir a rede e vender a sua utilização, «acautelando os direitos num quadro regulador».

E os chineses?

Quanto à presença crescente de capital chinês nas empresas nacionais, Teixeira dos Santos desvaloriza os riscos: «Há um quadro de regras europeu que tem de ser respeitado. Desde que assim seja, não vejo razões para que um historial de 500 anos de relações entre países não possa continuar».

Isto porque Portugal «pode ser um parceiro importante numa estratégia» de reforçar os negócios da China com os países da América Latina e África.

Questão da soberania esconde proteccionismo

Mas não arriscam a soberania nacional? Tal como Lobo Xavier, também presente na mesma conferência, Teixeira dos Santos foi categórico: considerando que esta é uma «questão artificial», «esconde um proteccionismo».

«Acredito que temos uma economia desenvolvida» e que, por isso, pode enfrentar a concorrência, explicou o ex-ministro das Finanças de José Sócrates.

Por isso, as privatizações são uma grande hipótese de dar uma «grande alavanca para a modernização da economia».

«Se a EDP, PT, Cimpor, REN, Tabaqueira ou Brisa fossem empresas públicas estariam muito longe dos níveis de desempenho modernização que tem revelado nos últimos anos [...] Estes são exemplos de como a privatizações foram catalisadoras da sua modernização e internacionalização que prestigiam a imagem da economia de Portugal. Duvido que se fossem empresas públicas poderíamos dizer o mesmo».

O importante é que o Estado, «no esforço de privatização» não venda «empresas com proveitos e depois fique com custos permanentes», alertou Teixeira dos Santos, responsável, entre outros, pelo processo BPN.

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