Empresas

Cerâmica de Valadares: queixa contra administração da empresa

Trabalhadores apresentaram queixa na PSP

  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
0 votos Comentários
  •  
  •  
  •  

Actualizada às 14h50 com reacção da empresa

Os trabalhadores da Cerâmica de Valadares apresentaram esta quarta-feira uma queixa na PSP contra a administração da empresa, considerando que esta está a violar a Constituição com um lock-out parcial, algo que a administração da empresa nega.

Fátima Messias, da Federação dos Sindicatos de Cerâmica afirmou, em conferência de imprensa, que o facto de a administração ter verbalmente ordenado aos trabalhadores a paragem da produção, na terça-feira, desligando os fornos, «configura, no actual contexto, uma clara violação do artigo 57.º da Constituição, nomeadamente a proibição de lock-out por parte das entidades patronais».

«O que está a ser feito dentro da fábrica não está a coincidir com as declarações públicas da administração. Uma empresa não pode tomar atitudes destas, unilaterais, de paralisar a produção, sem justificar», salientou Fátima Messias.

A sindicalista afirmou que «a responsabilidade do que se está a viver foi e é da administração», garantindo que, «logo que a situação dos salários esteja resolvida», a laboração da Cerâmica de Valadares entrará «numa situação de normalidade».

«Esta atitude recente [da administração] não configura uma vontade de resolver o conflito», sublinhou.

Na conferência de imprensa, Fátima Messias referiu também que os trabalhadores vão dar um novo prazo até sexta-feira para que a administração pague os salários em atraso (Dezembro e Janeiro) e que se tal não acontecer realizar-se-á um novo plenário «para decidir o que fazer a seguir».

Perante o impasse, os trabalhadores anunciaram ainda que vão contactar a administração do Grupo Hagen, «com quem, segundo a própria administração, foi feita uma encomenda com um pré-pagamento», que dará para resolver a questão dos salários em atraso.

Administração nega lock-out

A administração da Cerâmica de Valadares nega que esteja a praticar lock-out. Pararam dois fornos por serem «fortes consumidores de gás e actualmente não haver necessidade de produzir, porque não entram nem saem mercadorias», disse à Lusa o administrador António Galvão Lucas.

«Estar a acusar a administração de estar a violar a Constituição com um lock-out é completamente descabido».

Galvão Lucas estimou ainda em «mais de meio milhão de euros» os prejuízos causados nestes 10 dias de paralisação dos trabalhadores, que se mantêm à porta da empresa a impedir a entrada e saída de mercadoria até que sejam pagos os salários em atraso de Dezembro e Janeiro.

«Os prejuízos nunca são inferiores a 50/60 mil euros por dia. Para já, é superior a meio milhão de euros».

O administrador garantiu que se mantêm as negociações com um cliente para, através de um pré-pagamento do fornecimento da encomenda, conseguir ter dinheiro que permita pagar os salários.

«Estamos a tratar do assunto», sublinhou, acrescentando não querer adiantar datas de quando será possível concretizar o negócio e pagar aos funcionários.

O que a administração agora quer é que os trabalhadores «desmobilizem e deixem a empresa funcionar normalmente».

Partilhar
    Cerâmica de Valadares: queixa contra administração da empresa

    Últimas notícias

    todas as notícias desta secção
    icons