Cerâmica de Valadares: queixa contra administração da empresa
Trabalhadores apresentaram queixa na PSP
- PorRedacção LF
- 2012-02-08 13:38
Actualizada às 14h50 com reacção da empresa
Os trabalhadores da Cerâmica de Valadares apresentaram esta
quarta-feira uma queixa na PSP contra a administração da empresa, considerando que esta está a violar a Constituição com um
lock-out parcial, algo que a administração da empresa nega.
Fátima Messias, da Federação dos Sindicatos de Cerâmica
afirmou, em conferência de imprensa, que o facto de a administração ter verbalmente ordenado aos trabalhadores a paragem da
produção, na terça-feira, desligando os fornos, «configura, no actual contexto, uma clara violação do artigo 57.º da Constituição,
nomeadamente a proibição de lock-out por parte das entidades patronais».
«O que está a ser feito dentro da fábrica
não está a coincidir com as declarações públicas da administração. Uma empresa não pode tomar atitudes destas, unilaterais,
de paralisar a produção, sem justificar», salientou Fátima Messias.
A sindicalista afirmou que «a responsabilidade
do que se está a viver foi e é da administração», garantindo que, «logo que a situação dos salários esteja resolvida», a laboração
da Cerâmica de Valadares entrará «numa situação de normalidade».
«Esta atitude recente [da administração] não configura
uma vontade de resolver o conflito», sublinhou.
Na conferência de imprensa, Fátima Messias referiu também que os
trabalhadores vão dar um novo prazo até sexta-feira para que a administração pague os salários em atraso (Dezembro e Janeiro)
e que se tal não acontecer realizar-se-á um novo plenário «para decidir o que fazer a seguir».
Perante o impasse,
os trabalhadores anunciaram ainda que vão contactar a administração do Grupo Hagen, «com quem, segundo a própria administração,
foi feita uma encomenda com um pré-pagamento», que dará para resolver a questão dos salários em atraso.
Administração
nega lock-out
A administração da Cerâmica de Valadares nega que esteja a praticar lock-out. Pararam dois fornos
por serem «fortes consumidores de gás e actualmente não haver necessidade de produzir, porque não entram nem saem mercadorias»,
disse à Lusa o administrador António Galvão Lucas.
«Estar a acusar a administração de estar a violar a Constituição
com um lock-out é completamente descabido».
Galvão Lucas estimou ainda em «mais de meio milhão de euros» os prejuízos
causados nestes 10 dias de paralisação dos trabalhadores, que se mantêm à porta da empresa a impedir a entrada e saída de
mercadoria até que sejam pagos os salários em atraso de Dezembro e Janeiro.
«Os prejuízos nunca são inferiores
a 50/60 mil euros por dia. Para já, é superior a meio milhão de euros».
O administrador garantiu que se mantêm
as negociações com um cliente para, através de um pré-pagamento do fornecimento da encomenda, conseguir ter dinheiro que permita
pagar os salários.
«Estamos a tratar do assunto», sublinhou, acrescentando não querer adiantar datas de quando será
possível concretizar o negócio e pagar aos funcionários.
O que a administração agora quer é que os trabalhadores
«desmobilizem e deixem a empresa funcionar normalmente».
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