Bancos não emprestam mais dinheiro ao Estado
Nem mais um euro. Única saída é pedir ajuda externa
- PorRedacção VC
- 2011-04-05 08:37
Os banqueiros portugueses reuniram-se ainda na segunda-feira no Banco de Portugal e decidiram cortar o crédito ao Estado.
Ora, sem conseguir dinheiro emprestado e com os mercados financeiros a exigirem juros já acima dos 10%, a única saída é pedir
ajuda externa.
São precisos 15 mil milhões de euros para Portugal se conseguir aguentar até ao Verão, uma
verba que os banqueiros entendem que deve ser pedida através de um empréstimo intercalar à Comissão Europeia, algo também
ontem foi aconselhado pelo presidente do BCP, em entrevista à TVI. Só assim Portugal conseguirá fazer face a todos os compromissos de dívida
no prazo em que vencem os empréstimos mais importantes, ou seja, em Junho.
A posição dos banqueiros faz manchete
na edição do «Jornal de Negócios» desta terça-feira que levanta o véu de uma reunião secreta entre os presidentes dos grandes
bancos portugueses - leia-se BCP, BES, BPI, CGD e Santander - com o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.
Já
não são só os mercados a deixar de dar tréguas a Portugal. O braço-de-ferro faz-se agora sentir também dentro de fronteiras:
os bancos vão deixar assim de comprar dívida pública portuguesa. E os investidores dizem que a probabilidade de o Estado entrar
em incumprimento é já de 40%.
O mesmo jornal lembra até à data os bancos nacionais acudiram recorrentemente o Estado,
financiando-o directamente através dos leilões dívida ou como «intermediários» do Banco Central Europeu.
Mas o
saco encheu e está prestes a rebentar. A banca deixou de ter margem para poder financiar o Estado. O líder do maior banco
privado português, Carlos Santos Ferreira, não tem dúvidas de que a ajuda a Portugal é «urgente e deve ser pedida já».
Um ultimato a que se junta agora
outro da Moody`s. A agência de notação financeira cortou hoje o rating de Portugal em um nível, pelo que a classificação da República está agora a
três passos do «lixo». O novo Governo vai ter mesmo de pedir ajuda, avisa a Moody`s, uma vez que «o custo actual do financiamento
está a aproximar-se de um nível insustentável, mesmo no curto prazo».
Os juros da dívida soberana nacional logo reagiram
a mais este «ataque», com as Obrigações do Tesouro a cinco anos a ultrapassarem, pela primeira vez desde que Portugal entrou
no euro, os 10%.
Questionados por esta decisão da banca nacional, alguns economistas contactados
pela Agência Financeira são unânimes: Este é um sinal «alarmante».
[Notícia actualizada às 9h05]
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