Finanças

BCE deve subir juros já hoje

Instituição deverá decidir primeira subida ao fim de quase dois anos para travar inflação

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O Banco Central Europeu (BCE) deverá aumentar a taxa de juro de referência para a Zona Euro já esta quinta-feira. O conselho de governadores reúne-se hoje e deverá decidir um aumento do preço do dinheiro, que se encontra em 1%, o valor mais baixo de sempre, há quase dois anos (desde Maio de 2009).

A maioria dos economistas aponta para um aumento de 25 pontos base, para 1,25%, depois de o próprio presidente do banco, Jean-Claude Trichet, ter já dado a entender que esta subida não deverá ser maior do que isso e ter também sinalizado que não será a primeira de uma série de subidas. Ou seja, desta vez, a taxa não vai subir muitas vezes seguidas, como aconteceu até 2008.

Mas há também indicações que deixam antever que esta não será a única subida do preço do dinheiro este ano. Um dos membros do BCE, Axel Weber, aponta para mais duas actualizações ainda em 2011.

O aumento da taxa de juro tem como principal objectivo travar a inflação, que está a ser alimentada pela escalada de matérias-primas como o petróleo ou os bens alimentares. Trichet tinha já avisado que deveria aumentar a taxa este mês e o aviso foi encarado ainda com mais seriedade depois de se saber que a inflação na Zona Euro cresceu para 2,6% em Março, o valor mais elevado em mais de dois anos.

O valor está muito acima do pretendido pelo BCE, cujo principal objectivo é a estabilidade de preços, e que não quer ver o custo de vida aumentar mais do que 2%.

A subida da taxa de referência deverá arrastar as Euribor para cima, fazendo aumentar também o custo de financiamento para os bancos, empresas e famílias, numa altura em que o crédito está já muito caro e difícil de conseguir.

Prestações vão começar a subir a sério

Como a subida da taxa de referência costuma ser precedida de um aumento das Euribor, e os investidores acreditam que o BCE vai optar pelo aumento já esta quinta-feira, as taxas comerciais têm estado a antecipar esse movimento. Por isso mesmo, quem tiver a prestação do crédito à habitação revisto em Abril vai já sentir o impacto.

O impacto varia, consoante os montantes e os prazos dos empréstimos. Mas se tomarmos como referência um crédito de 150 mil euros a 30 anos, com um spread de 1%, as contas mostram que vem aí mais despesa. As famílias cujos empréstimos estiverem indexados à Euribor a 3 meses podem contar com um aumento de quase 12 euros na prestação mensal.

Mas as subidas serão piores para quem tem os contratos indexados à Euribor a 6 e 12 meses, porque estas famílias sentirão aumentos superiores a 26 e 55 euros, respectivamente, na prestação a pagar ao banco.

E, como se esperam novas subidas do BCE no resto do ano, os futuros mostram que as Euribor vão continuar a subir. A taxa a 3 meses deverá ultrapassar os 2% no fim do ano, o que significa que, nas próximas revisões, estas famílias vão sentir novos aumentos.

[Actualizada com cálculos sobre a subida das prestações no crédito à habitação]

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