Finanças

CGD fecha 2011 com prejuízos de 488,4 milhões

Resultados foram penalizados pelo crédito malparado, exposição à dívida soberana e perdas de desvalorização em bolsa

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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) terminou o ano de 2011 com prejuízos de 488,4 milhões de euros, contra os lucros de 250,6 milhões de euros de 2010. Os prejuízos foram justificados, principalmente, pelo crédito malparado, a exposição à dívida soberana e as perdas de desvalorização em bolsa.

O resultado ficou em linha com o esperado pelos analistas.

De acordo com o comunicado emitido na CMVM, «o resultado líquido consolidado, afectado pelo provisionamento efectuado no exercício no montante de 1 674,6 milhões de euros acima referido, fixou‐se num valor negativo de 488,4 milhões de euros, contra um valor positivo de 250,6 milhões de euros em 2010».

«Os resultados da CGD são verdadeiramente positivos nestes aspectos do quotidiano». Já os «aspectos negativos têm um carácter temporário e excepcional», justificou José de Matos.

O responsável fez questão de salientar o momento difícil para o país e para a banca, no seguimento do pedido de ajuda internacional, com «exigências e determinações específicas para a Caixa Geral de Depósitos».

As imparidades estimadas rondam os 1,674 mil milhões de euros, depois de, em 2010, a CGD ter registado imparidades na ordem dos 420 milhões de euros.

Olhando em pormenor, a exposição da CGD à dívida pública teve um impacto negativo de 183 milhões de euros.

Já as desvalorizações em bolsa da PT, ZON, Brisa e BCP resultaram em perdas de 613,1 milhões para a Caixa em 2011.

Já em termos de malparado, a CGD contabilizou perdas de 827,4 milhões de euros.

A margem financeira também registou uma melhoria: em termos alargados aumentou 13,6% face a 2010, para 1.832 milhões de euros, ao passo que a margem estrita subiu 19,1%, para 1.685 milhões de euros.

Por seu turno, os proveitos com comissões líquidas totalizaram 504,6 milhões de euros, valor ligeiramente superior ao observado em 2010 (502,3 milhões).

Os Custos Operativos atingiram 1 903,2 milhões de euros, o que representou uma redução de 64 milhões de euros (‐3,3%), com origem quer nos Custos com Pessoal, quer nos Fornecimentos e Serviços de Terceiros, que diminuíram, respectivamente, 51,4 milhões (‐4,9%) e 26,2 milhões (‐3,6%).

O activo líquido do grupo totalizou 120,7 mil milhões de euros no final de 2011, valor inferior ao verificado em Dezembro de 2010 (‐4,1%). Para esta evolução contribuiu a redução registada nas aplicações em títulos de ‐5,3 mil milhões de euros (‐17,7%) e no crédito a clientes de ‐3,7 mil milhões (‐4,5%), reflectindo a estratégia de desalavancagem da CGD em activos não estratégicos.

De acordo com o mesmo comunicado da CGD, o saldo total dos depósitos de clientes ascendeu a 64 mil milhões de euros, aumentando 3,8 mil milhões de euros (mais 6,3%) desde o início do ano. Já o crédito a clientes, em termos brutos, diminuiu 3,4% para 81,6 mil milhões.

Por seu turno, o rácio de transformação - medido pelo crédito líquido relativamente aos depósitos de clientes - situou‐se em 122,2%, que compara com o rácio de 136% registado no final de 2010, situando‐se já próximo dos valores fixados para 2014 no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira (120%).

Pela positiva, a CGD conseguiu um «Rácio Core Tier I» que passou de 8,8% para 9,4%, situando‐se acima do valor mínimo de 9% fixado para o final de 2011.

No final do Verão de 2011, a CGD fez um reforço de capital para cumprir estas exigências, para um cenário «hipotético e irrealista» de algum incumprimento de dívida pública, como explicou o presidente da CGD.

O financiamento da CGD junto do BCE cifrou‐se em 9 mil milhões no final de Dezembro do ano passado.

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