Por que não recorremos à ajuda há mais tempo?
Presidente do BPI deixa palavra de apreço ao ministro das Finanças está «sozinho»
- PorRedacção CPS
- 2011-03-31 18:15
O presidente do BPI, Fernando Ulrich, considerou esta quinta-feira que já passou o momento para discutir se Portugal deveria
recorrer à ajuda externa, sublinhando que a pergunta mais sensata agora seria questionar porque não o fez há mais tempo.
«Dentro
em pouco as pessoas vão perguntar não se Portugal deveria ou não recorrer [à ajuda externa], mas sim se não deveria ter recorrido
há muito mais tempo. Essa é a pergunta de agora», disse Ulrich no decorrer da apresentação de um estudo do BPI sobre o sector
energético, mas sublinhando que falava em nome individual.
«É patente que a informação que temos hoje é maior do
que a que tínhamos ontem e que anteontem. Temos uma crise política, cortes do rating, mais défice em 2010 do que pensávamos.
Há muitas coisas novas. Com a informação que se dispõe, a pergunta mais sensata é porque é que Portugal não recorreu há mais
tempo aos mecanismos de ajuda internacional», disse Ulrich citado pela Lusa.
Ajuda? É «arma de arremesso» entre
partidos
Por outro lado, o mesmo responsável disse que o incomoda ver a questão da ajuda externa transformada
numa arma política usada pelos partidos políticos.
«Como cidadão faz-me impressão que [a ajuda externa] esteja a
ser transformada em arma de arremesso entre partidos políticos. A ajuda tem de ser analisada friamente e à luz das necessidades»,
frisou Ulrich, que deixou uma palavra de apreço ao ministro das Finanças, que diz estar «sozinho».
«A posição do
ministro das Finanças é muito corajosa. E estou a falar dele propositadamente, e não do primeiro-ministro, porque é ele [Teixeira
dos Santos] quem tem, por definição, a informação toda e ao detalhe», disse o presidente do BPI.
«Parece-me muito
corajoso estar sozinho a arcar com essa responsabilidade», sublinhou.
Reconhecendo que Portugal «está a ser empurrado»
para a ajuda externa pelas agências de rating e pela imprensa internacional, Ulrich disse que preferiria que «Portugal
não tivesse de chegar a essa situação».
«Já o disse e reafirmo. Mas também disse que se chegasse não seria o fim
do mumdo e não se deveria diabolizar esses instrumentos internacionais», sublinhou. O BPI, disse, está a cumprir a sua parte.
«Fechamos
o primeiro trimestre do ano e tem-se falado muito da intervenção do Banco Central Europeu e do financiamento que tem concedido
a Portugal e a outros países, mas gostaria de dizer que o BPI fechou o trimestre sem utilizar o Banco Central Europeu»,
adiantou. Ou seja, explicitou, «a diferença entre os empréstimos que contraiu e os depósitos que tem no BCE é zero».
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