Previsão: Portugal pede ajuda antes de Junho
Ernst & Young não tem dúvidas de que país enfrenta uma recessão este ano e, com demissão do Governo, vai precisar de recorrer ao FMI e ao fundo europeu de resgate
- PorRedacção VC
- 2011-04-04 07:48
Não há volta a dar. Portugal vai enfrentar uma recessão este ano, com uma quebra de 1,1% do Produto Interno Bruto, e deverá
pedir ajuda externa antes do mês de Junho. É pelo menos o que prevê a Ernst & Young num relatório divulgado esta segunda-feira.
A
demissão do primeiro-ministro no final de Março demonstra que «o país vai precisar de recorrer à ajuda externa, seja do Fundo
Monetário Internacional (FMI), seja do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) antes de Junho, a data mais crítica
nos reembolsos de dívida», dizem as previsões de primavera do «Ernst & Young Eurozone Forecast», citadas pela Lusa. Este é
o relatório trimestral que efectua a previsão da evolução macroeconómica em todos os países da Zona Euro.
A Ernst
& Young considera que, até ao momento, «os esforços para acalmar os mercados não têm tido os benefícios esperados», uma vez
que a República Portuguesa terá de devolver ao mercado 10 mil milhões de euros, até Junho.
Apesar de as medidas de
austeridade «começarem a dar sinais de melhoria das finanças públicas, é mais que provável que Portugal entre em recessão
este ano», com uma queda do PIB de 1,1%.
Sinais de recuperação só em 2012, ano em que o PIB deverá situar-se nos
0,7%. Em 2013 deverá chegar aos 1,4%, em 2014 aos 1,6 por cento e, em 2015, deverá situar-se nos 1,8%, de acordo com as previsões
dos analistas.
Zona Euro com recuperação frágil
A recuperação na Zona Euro mantém-se frágil, devendo
o PIB registar um crescimento de 1,5% em 2011, motivado pelas exportações, e 1,7% em 2012. «Mesmo que Portugal e a
zona euro ultrapassem esta crise a perspectiva continua a ser um desafio, com a probabilidade de haver uma Europa a várias
velocidades».
O relatório destaca que «embora o mecanismo europeu de estabilidade, criado na recente cimeira da União
Europeia, tenha permitido algum alívio, verifica-se um aumento da tensão resultante da instabilidade política em Portugal,
após a renúncia do primeiro-ministro José Sócrates».
A recuperação económica da região mantém-se, por isso, «frágil
e há a possibilidade de Portugal apelar à ajuda externa», reforça o relatório.
«Apesar de uma recuperação na economia
global, a Zona Euro continua a enfrentar o desafio e preocupações da dívida soberana, da instabilidade política e do aumento
dos preços», um ambiente de incerteza que «continua a travar o investimento por parte das empresas e a consequente criação
de emprego».
Subir taxas de juro é «erro político»
Um outro ponto que merece a atenção da Ernst &
Young prende-se com o aumento das taxas de juro: «apesar do aumento da inflação, a subida [das taxas de juro] verificada esta
semana, e o subsequente aumento já verificado este ano para tentar abafar o nível de inflação, poderá pôr em perigo a frágil
recuperação económica na Zona Euro».
«Consideramos ser um erro político o aumento das taxas como resposta à inflação,
uma vez que terá impacto no crescimento do PIB». Mais: «o BCE não tem necessidade desta estratégia, tanto mais porque a previsão
aponta para que em 2012 o preço do petróleo comece a cair, os preços dos alimentos voltem para perto dos níveis anteriores,
que o efeito do aumento do IVA verificado em 2011 desapareça, e a própria inflação volte a cair abaixo dos 2%».
A
Ernst & Young estima ainda a possibilidade de riscos de deterioração para o crescimento do PIB perante as tensões no Médio
Oriente «uma vez que pode provocar uma reavaliação dos riscos nos mercados financeiros, com preços em queda rápida e prémios
de risco crescente em vários títulos».
Para a Zona Euro «isso pode significar uma evolução deveras negativa se conduzir
a uma nova escalada da crise de títulos soberanos». «Os mais recentes desenvolvimentos em Portugal são preocupantes e as suas
consequências poderão ser muito graves».
Nota ainda para o desempenho da economia mundial que vai «manter-se robusto»,
impulsionado pelos mercados emergentes e pelos Estados Unidos.
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