«Ajuda externa é urgente e deve pedir-se já»
Santos Ferreira acredita que Portugal não vai conseguir sair da crise sem pedir ajuda externa, e acredita que é importante pedir já um apoio intercalar
- PorRedacção LF
- 2011-04-04 20:52
O presidente do BCP, Carlos Santos Ferreira, acredita que Portugal «não vai escapar» a um pedido de ajuda externa, mas
refere que isso só deverá acontecer no Verão. Até lá, alerta o banqueiro, é importante pedir uma ajuda intercalar para nos
«aguentarmos», logo este apoio «é urgente e deve pedir-se já».
«Não tenho dúvidas de que é indispensável o apoio
do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), mas isso acontecerá nas minhas contas em Julho ou Agosto», disse Santos
Ferreira em entrevista à TVI, acrescentando que, «até lá, julgo completamente indispensável que este país peça um apoio intercalar
à Comissão Europeia, a qual dispõe de 60 mil milhões de euros».
O banqueiro vai mais longe e arrisca números para
o pedido antes do resgate oficial: «A minha estimativa é superior a 10 mil milhões de euros, mas o Governo saberá o que pedir».
«O
que eu penso é que, com as eleições que estão a decorrer, em Julho ou Agosto, o novo Governo - e espero que esse Governo seja
uma maioria forte - terá condições para pedir o apoio do fundo europeu de estabilização financeira».
E se não
pedirmos a ajuda intercalar?
Perante uma realidade que se alterou, Santos Ferreira alerta para o risco de não
se pedir um apoio: «Se isto não for feio há risco da República em se financiar, risco do sector empresarial em cumprir os
seus compromissos, risco de descer o rating da República e por consequência da banca».
Santos Ferreira relembra tudo
o que tem vindo a acontecer, «recentemente muita coisa se alterou. A cimeira de Bruxelas ficou muito aquém do resultado que
todos previam e o défice de 2010 cedido pelo Eurostat ficou acima do que era espectável e o PEC4 foi rejeitado».
«Já
estamos todos a viver tempos difíceis e vêem aí tempos ainda mais difíceis», diz o líder do BCP, acrescentando que, «as pessoas
estão convencidas que isto é um problema de meses, mas eu penso que estamos perante um problema de anos. As pessoas vão viver
pior, no mínimo vão viver diferente».
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