Oposição: dinheiro injectado no BPN dava para eliminar défice
Ajudas do Estado ao BPN ascendem a 4,6 mil milhões de euros. Imprensa avança que poderão ser colocados no banco mais 400 milhões de euros
- PorRedacção LF
- 2010-10-21 11:41
O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, criticou esta quinta-feira o Orçamento do Estado de «consenso» entre PS
e PSD, considerando que prejudica a economia portuguesa e que «cava um buraco cada vez mais fundo» de desemprego.
Quanto
ao investimento do governo de mais 400 milhões de euros no BPN, anunciado hoje pelo «Jornal de Negócios», Francisco Louçã
garante que com este reforço o total do dinheiro investido pelo Estado neste banco daria para cobrir «o buraco orçamental
de todo o país», informa a Lusa.
«Já vai chegar a cinco mil milhões. É o total do buraco orçamental de todo o país»,
disse, criticando o Governo por fazer «tudo o que for preciso para proteger a falcatrua financeira e tudo o que for necessário
para estrangular uma economia que tem cada vez mais dificuldades».
«O Governo corta 500 milhões de euros nos abonos
de família, na acção social escolar e no apoio aos desempregados, mas vai pôr 400 milhões agora a acrescentar ao muito que
já pôs no BPN, que é um banco que não tem qualquer viabilidade porque foi falido pela falcatrua dos seus donos», adiantou.
CDS
pede explicações ao Governo
A deputada do CDS-PP Assunção Cristas exigiu explicações ao ministro das Finanças,
Teixeira dos Santos, sobre o aumento de capital do BPN, questionando quanto é que irá pesar no bolso dos contribuintes, avança
a Lusa.
«Segundo a comunicação social, 4.600 milhões de euros estão já comprometidos no BPN, correspondente a quase
metade do défice do próximo ano, uma grandeza muito relevante e que pode ser muito pesada no bolso dos contribuintes», frisou.
Assunção
Cristas vai requerer a audição do presidente da CGD para apurar o papel da Caixa no processo e vai questionar Teixeira dos
Santos sobre esta matéria quando o ministro apresentar o Orçamento do Estado para 2011 na Comissão de Orçamento e Finanças.
«Fazer um aumento de capital de 400 milhões de euros, para depois vender por 180 milhões, que é o que está em cima da mesa
na proposta do Governo, do ponto de vista da racionalidade económica não fará muito sentido», argumentou.
«O que
vemos são empresas por todo o lado com imensa dificuldade em aceder ao financiamento, a precisar de crédito para laborar e
a CGD a não conseguir cobrir essas situações mas a conseguir 400 milhões de euros para fazer um aumento de capital no BPN»,
criticou.
PCP sublinha «injustiça» do OE
O PCP considera que o aumento do capital do BPN demonstra
«a profunda injustiça» da proposta do Governo e «o favorecimento do poder financeiro».
O comunista Honório Novo considera
que esta «é mais uma peça para o escândalo que já dura há dois anos, depois de 4.600 milhões de euros em dinheiro emprestado
pela Caixa Geral de Depósitos ao BPN».
«Temos um banco que tem um buraco de dois mil milhões de euros e que o Governo
pretende privatizar completamente limpo, isto é, o buraco fica no Estado. Temos um banco ¿ a Caixa, ou seja, nós ¿ que paga,
mais cedo ou mais tarde, 4600 milhões de euros de dinheiro emprestado. Temos um Orçamento do Estado que prevê tudo isto e
pelo menos mil milhões de euros para esta finalidade, e simultaneamente, do lado do esforço pedido aos trabalhadores, aos
funcionários públicos, impõe cortes e reduções», criticou.
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