Crédito à habitação: taxa fixa ou variável?
Euribor estão em mínimos e economistas acreditam que BCE vai começar a subir o preço do dinheiro na recta final de 2010 ou início de 2011
- PorPaula Gonçalves Martins
- 2009-12-09 19:30
Se anda a pensar em fixar a taxa de juro do seu crédito à habitação, mas ainda não conseguiu decidir se é a melhor altura,
esta pode ser a hora H.
Com a taxa de juro do Banco Central Europeu (BCE) em 1%, o valor mais baixo de sempre,
e as taxas Euribor também em mínimos históricos, os economistas são unânimes: daqui para a frente elas só podem subir. A única
dúvida é saber quando e quanto: alguns especialistas apontam para o terceiro trimestre de 2010, outros mais para o final do
ano que vem, e há mesmo quem acredite que a primeira subida só chegará em 2011.
Seja como for, uma vez reiniciada
a subida das taxas do BCE, é certo que as Euribor vão acompanhar. A optar pela taxa fixa, o ideal é fazê-lo quando as taxas
estão bem baixas e se perspectiva que daí a algum tempo comecem a subir. Soa-lhe familiar? É isso mesmo, esta pode ser a altura
ideal.
O que dizem os especialistas
Para os especialistas contactados pela Agência Financeira,
fixar a taxa de juro num crédito à habitação só deve ser feito pelo prazo em que achar que compensa.
Normalmente
as taxas fixas oferecidas pelos bancos situam-se cerca de dois pontos percentuais acima da taxa Euribor actual. Ou seja, quem
quiser fixar a taxa a cinco anos, por exemplo, encontrará nos bancos ofertas a rondar os 3%, a que acresce o spread.
Para já, pagará mais do que pagaria na taxa variável. Mas se achar expectável que as Euribor comecem a subir daqui a um ano,
e atinjam níveis superiores a esses 3% dentro do prazo de 5 anos, então talvez compense pagar mais agora, para depois não
sentir essa subida.
Faça aqui a simulação
de quanto pagaria se fixasse a taxa do seu empréstimo
Vinay Pranjivan, especialista da Deco, sublinha à
Agência Financeiraque «há um risco associado à taxa fixa, que tem a ver com a presunção quanto às perspectivas para
as taxas variáveis». Ou seja, «o banco vai propor uma taxa fixa. A dúvida do consumidor é saber se vale ou não a pena. Isso
depende apenas da expectativa que existe sobre a evolução da taxa variável».
Ou seja, se contratar a taxa fixa
a cinco anos, por exemplo, deve fazê-lo apenas se achar que, nesses cinco anos, as Euribor vão subir mais do que a taxa fixa
a contratar.
Para tentar ajudar o leitor, a AF recolheu algumas previsões. Por exemplo, a Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que a taxa juro do BCE vai atingir 2% em 2011. Mas, se olharmos
para os futuros, vemos que o mercado perspectiva mais subidas nos anos seguintes. A taxa forward [que traduz a expectativa
do mercado sobre a evolução futura da taxa de juro] aponta para um valor a rondar os 4% daqui a cinco anos.
«É
uma questão muito própria. Com a taxa em mínimos e com spreads tão altos, a taxa variável ainda está abaixo da taxa
fixa. Mas isso pode mudar daqui a um ano ou dois. No fundo, o consumidor tem de decidir se quer ou não acompanhar o mercado.
No fundo, é como um jogo, em que o consumidor assume um risco», sublinha Vinay Pranjivan.
Estabilidade ou
acompanhar o mercado?
O consumidor tem de decidir se prefere assegurar uma taxa estável, o que lhe permite
fazer planos com maior segurança, sabendo antecipadamente quanto vai pagar em cada mês, ou se arrisca sofrer os altos e baixos
das taxas de juro e assim garante que nunca paga mais nem menos do que tem de pagar.
A AF recolheu as
ofertas dos vários bancos. No caso da CGD, por exemplo, a taxa a cinco anos está nos 3,15%, a que acresce o spread.
Uma taxa não muito diferente oferece o Millennium bcp: 3,3%, para o mesmo prazo. Já o BES, oferece uma taxa fixa de 2,8%.
O BPI não apresenta uma taxa fixa a cinco anos, mas quem quiser fixá-la a 10 anos, poderá contar com um valor
entre os 4,646 e os 4,959%, consoante o montante do financiamento e da percentagem do valor do imóvel que é financiada.
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