Fitch corta rating de Portugal em dois níveis
Agência reage à demissão do Governo com descida da nossa classificação
- PorRedacção PGM
- 2011-03-24 16:31
A agência de notação financeira Fitch cortou esta quinta-feira a classificação da dívida pública portuguesa em dois níveis
e diz mesmo que o país deverá precisar de ajuda financeira até Junho.
O corte de rating de Portugal, de A+
para A-, surge um dia depois de o primeiro-ministro ter pedido a demissão ao Presidente da República, na sequência do chumbo do Programa de Estabilidade e
Crescimento (PEC) em Assembleia da República.
Ao mesmo tempo, refere a agência, «ainda há hipótese de Portugal não
precisar de um resgate financeiro,
e que se aguente pelos seus próprios pés, mas nós vemos agora como muito mais provável que irão necessitar de um resgate nos próximos meses,
certamente até Junho», afirmou à Lusa Douglas Renwick.
A agência invoca, para a descida da nota, as dificuldades
na implementação de medidas e de financiamento após os desenvolvimentos das últimas 24 horas.
Além do corte, a agência
mantém a nossa dívida sob Outlook negativo, o que não afasta novas descidas nos próximos meses.
No documento
emitido esta quinta-feira a Fitch assume como garantido que Portugal continuará a ter acesso a financiamento nos mercados,
o que aumenta exponencialmente a probabilidade de o pais vir a precisar de ajuda externa. Para a agência, enquanto o resgate
não acontecer, Portugal enfrenta o risco de a classificação da sua dívida se reduzir ainda mais.
Ainda há dois dias,
a agência afirmara à Lusa que a contenda entre PS e PSD não colocava em risco a nota da dívida portuguesa por não constituir
ameaça imediata ao cumprimento da meta de défice para 2011, que é de 4,6% do PIB.
Dizia a Fitch que Portugal já adoptou
um orçamento de austeridade para 2011, por isso as disputas políticas não constituem um risco imediato para a meta do défice
para este ano.
«O nosso rating para Portugal já é negativo, reflectindo as nossas preocupações sobre a redução
do défice e o acesso ao mercado», disse o director da Fitch Ratings, Douglas Renwick.
O Governo veio já dizer que
já tinha avisado que isto podia acontecer, mas o PSD acredita
que o nosso voltará a subir com as medidas que o partido aplicará quando chegar ao Governo.
O
PSD afastou já o corte de salários e pensões e qualquer aumento dos impostos sobre o rendimento (IRC e IRS) mas admite subir
impostos sobre o consumo (IVA, tabaco, combustíveis e álcool).
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