S&P corta rating de Portugal e admite nova baixa
Incerteza política pressiona confiança dos mercados
- PorRedacção PGM
- 2011-03-24 23:25
A agência de notação financeira Standard & Poor's cortou dois níveis na classificação da dívida pública portuguesa de longo
prazo, de A- para BBB, avança a Reuters. Também a Fitch tinha
já cortado a nota nacional esta quinta-feira, em dois níveis, de A+ para A-.
Como justificação, a agência financeira
afirma que a confiança dos mercados pode ser prejudicada pela crescente incerteza política, após a demissão do primeiro-ministro. O que significa que Portugal pode enfrentar dificuldades acrescidas
no acesso a financiamento.
A S&P mantém, tal como a outra agência, um outlook negativo para a dívida soberana
do país, o que significa que não está afastado um novo corte nos próximos meses.
Mas, de acordo com a Reuters, essa
descida pode não demorar tanto: a S&P admite que pode haver um corte de mais um nível já na próxima semana.
A S&P
«espera» que o próximo Governo «não terá outra opção que não seja adoptar uma versão das propostas de reformas» que constavam
do PEC 4, chumbado no Parlamento, sobretudo, ainda que numa base diferida, «dado o aparentemente fraco apetite dos investidores
pela dívida de Portugal», afirmou o analista da agência, Eileen Zhang.
«A poupança pública crescente deveria também,
a nosso ver, contribuir para a redução dos grandes desequilíbrios externos de Portugal, pois acreditamos que as exportações
do sector privado português deverão ser insuficientes para reduzir rapidamente o défice da conta corrente portuguesa, que
atingiu em média 9,7% do PIB desde que Portugal entrou no euro em 1999», acrescenta.
A classificação da dívida de
curto prazo ficou inalterada em A-2, e permanece também sob observação, com implicações negativas.
O Governo considera
que a oposição é responsável pela deterioração da avaliação
da dívida pública, mas o PSD assegura que o voltará a subir
com as medidas que pretende tomar quando for Governo.
Mas, segundo a S&P, a incerteza política não é a única causa
da descida de classificação. A discussão sobre o novo mecanismo europeu de estabilidade (MEE) também tem um papel. Por isso
mesmo, a decisão sobre uma nova descida apenas será tomada quando forem conhecidos os detalhes do MEE.
O corte é
mais provável «se o MEE aumentar a probabilidade de os credores do Estado português serem sujeitos a uma reestruturação (da
dívida) ou a uma 'paralisação' como resultado dos termos de um empréstimo do MEE, ficando subordinados ao empréstimo do MEE
ou se as obrigações portuguesas registarem uma redução substancial de liquidez (de transacções)».
A S&P diz mesmo
que, à parte desta matéria, espera resolver a observação negativa da nossa dívida «nas próximas semanas».
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