Resgate: Alemanha exige perda de soberania à Grécia
Decisões orçamentais terão de ser transferidas para um comissário do orçamento da Zona Euro
- PorRedacção VC
- 2012-01-28 10:15
Para que a Grécia recebe um novo pacote de ajuda financeira, a Alemanha quer que o país abdique da soberania sobre as decisões
orçamentais, transferindo-a para um comissário do Orçamento da Zona Euro. O valor do empréstimo em causa era inicialmente
de 130 mil milhões de euros, mas a troika estima agora que Atenas precisa de mais 15 mil milhões.
O «Financial Times» cita, na sua página online,
uma cópia de uma proposta de Berlim em que «o novo comissário [da Zona Euro] teria o poder de vetar decisões orçamentais tomadas
pelo governo grego se não estivessem em linha com os objectivos estabelecidos pelos credores internacionais».
O novo
responsável, que seria nomeado pelos restantes ministros das Finanças do espaço do euro, teria a responsabilidade de supervisionar
«todos os grandes blocos de despesas» do governo de Atenas.
«A consolidação orçamental tem de ser colocada sob
orientação e sistema de controlo rigorosos. Tendo em conta o cumprimento decepcionante até agora, a Grécia tem de aceitar
transferir a soberania orçamental para um nível europeu por um determinado período de tempo».
E ainda há mais:
Atenas ficaria também obrigada a adoptar uma lei, de caráter permanente, que garantisse que as receitas do Estado seriam
canalizadas, «em primeiro lugar», para os serviços de dívida.
O plano alemão evidencia a falta de confiança dos
credores europeus em relação à Grécia: «Se a futura tranche [do resgate financeiro] falhar, a Grécia não pode ameaçar os seus
credores com um incumprimento. Em vez disso, vai ter de aceitar mais cortes nas despesas primárias como única consequência
de qualquer não pagamento».
O ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, assegurou entretanto que a Grécia
está «a um passo» de obter um acordo com a banca sobre o perdão de pelo menos 100 mil milhões de euros da sua
dívida, reconhecendo que há ainda «uma série de difíceis questões para iniciar o novo programa» de ajuda financeira.
Após
mais um encontro em Atenas com os representantes da troika, o ministro admitiu que estão em curso «negociações muito difíceis
e delicadas», mas garantiu que o processo se encontra «a um passo» de ser completado.
O FMI e a UE pretendem que
o país reduza a sua dívida antes de aprovarem um novo empréstimo de 130 mil milhões de euros, necessário para que Atenas não
entre na bancarrota.
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