Corrupção: Portugal é dos que menos cumpre recomendações da OCDE
Relatório da Transparência Internacional diz que crise não é desculpa para Estados-membros da OCDE ignorarem compromisso com fim da corrupção internacional
- PorRedacção VC
- 2010-07-29 08:29
No que toca à corrupção, Portugal faz má figura perante a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico.
Está mesmo entre os Estados-membros que «pouco ou nada» ligam às recomendações da OCDE sobre corrupção internacional, aponta
um relatório da Transparência Internacional (TI) divulgado esta quinta-feira.
Mas nem só Portugal é alvo de críticas.
A OCDE apontou o dedo a mais de metade dos 36 integrantes da OCDE.
Os países visados, que representam 15 por cento
das exportações mundiais, são África do Sul, Áustria, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Eslováquia e Eslovénia. Mas também
a Estónia, Grécia, Hungria, Irlanda, Israel, México, Nova Zelândia, Polónia, Portugal, República Checa e Turquia.
No
seu relatório sobre a aplicação da convenção da OCDE para combater a corrupção de funcionários estrangeiros nas transações
comerciais internacionais, a TI destaca o aparecimento do Canadá neste primeiro grupo.
Um segundo grupo de países,
que representam 21% das exportações mundiais, inclui nove Estados que aplicam a convenção da OCDE de forma «moderada». Entre
eles, figuram a Argentina, Bélgica, Coreia do Sul, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Japão e Suécia.
Itália,
Dinamarca e Reino Unido sobem
A Transparência Internacional situa num terceiro grupo os sete Estados que, na
sua análise, «aplicam activamente» as indicações da OCDE. São países que valem 30% das exportações: Alemanha, Dinamarca, Estados
Unidos, Itália, Noruega, Reino Unido e Suíça.
Dinamarqueses, italianos e britânicos subiram na classificação, já
que vinham do grupo dos «moderados».
Desde que a TI começou a vigiar a aplicação da convenção da OCDE, o número de
países que cumprem razoavelmente duplicou dos oito iniciais para 16, o total dos integrantes dos segundo e terceiro grupos.
Crise
não é desculpa
A crise financeira internacional não pode servir de desculpa para os governos da OCDE ignorarem
o seu compromisso com o fim da corrupção internacional, alerta a TI.
«Muito pelo contrário, a limpeza da corrupção
no estrangeiro deve ser considerada como parte importante das reformas necessárias para superar a crise internacional».
A
TI sugere ainda que o alargamento da OCDE, uma vez que um terço das exportações mundiais são feitas por países que não integram
a organização.
«O papel crescente da China, da Rússia e da Índia não pode ser ignorado», há que «a sua parte nas
exportações mundiais está a crescer» e «é essencial que estes países joguem com as mesmas regras do que os outros países exportadores».
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