Qual é o risco de Portugal copiar a Grécia?
Economistas garantem que economia nacional tem um pesado problema de falta de crescimento. Risco de contágio grego intensifica-se pela turbulência dos mercados e consequente subida das taxas de juro
- PorRedacção VC
- 2010-05-04 11:00
Portugal tem estado sob os «holofotes» mediáticos internacionais, empurrado pelo abismo financeiro da Grécia. Os receios
dos investidores deixam um rasto difícil de apagar nos mercados, com as bolsas sempre à procura de rumo incerto. Mas, afinal,
qual é o risco de Portugal se transformar na próxima Grécia?
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«O problema grego é um problema
clássico de finanças públicas» e em Portugal o problema não toma essas proporções. A ressalva é feita pelo professor português
da Universidade de Columbia, Ricardo Reis, em entrevista à «Folha de S. Paulo».
Portugal não alcança o clímax grego,
mas tem, sim, vários problemas. A começar pela subida do défice, de 2,7% para 9,4% que, segundo o economista se deve às «eleições
- e o resultante aumento de algumas despesas públicas e a relutância em subir impostos - e [à] crise». Mas «se os actuais
planos do Governo se mantiverem, não será difícil chegar pelo menos a um défice de 4% nos próximos dois a três anos», declarou.
Contudo,
os problemas não se ficam por aqui. O maior é mesmo «o pouco crescimento. Isso implica que o país no seu todo, e não só o
sector público, se tem endividado na última década e depende do financiamento externo para manter os seus níveis de consumo».
E, no médio prazo, se Portugal não crescer, terá «de facto grandes dificuldades em pagar as suas dívidas».
Só que
os mercados não têm dado margem de manobra à economia nacional. O risco actual de Portugal ser a próxima «vítima» intensifica-se
porque «os mercados, preocupados com o problema grego exagerem na sua reacção aos problemas portugueses, precipitando uma
crise». Pior, «se as taxas de juro continuarem a subir», podem «chegar a níveis incomportáveis no curto prazo, precipitando
já uma crise» com nome luso.
Vem aí uma «espiral da morte»?
A palavra «crise» tem, no entanto, «origem
grega», como refere o analista da BBC, Jamie Robertson. E é também «um termo médico para descrever o ponto de viagem de uma
doença antes da recuperação». Espera-se que esse ponto de viragem aconteça com a ajuda de 110 mil milhões de euros à Grécia
em resultado do esforço conjunto entre a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional.
Certo é que a pressão
sobre «o capital e os mercados de títulos» tem atingido «uma ferocidade desproporcionada». «A maré virou» e os ministros das
Finanças da Zona Euro e o FMI tiveram de entrar em acção para acalmar os mercados. Mas as sessões têm sido muito voláteis.
Os receios de contágio não se dissiparam.
Jamie Robertson repesca, por isso, uma ideia-chave que serviu de alerta
para o mundo: «A Grécia encontra-se numa espiral de morte» no que diz respeito ao crédito. O aviso, do professor de finanças
da Universidade George Mason, Anthony Sanders teria virado realidade «se os mercados vissem a zona euro e o FMI a serem incapazes
de ajudar a Grécia». Isso «rapidamente» se teria traduzido «na venda da dívida portuguesa e espanhola». E «a espiral da morte
ia começar a girar outra vez».
A Grécia está sob tensão económica, financeira e social, reflectindo as fortes medidas
de austeridade que terá de levar a cabo nos próximos anos. Mas elas são também, refere este analista, «um lembrete» de como
«muitas economias ocidentais têm de lidar com a redução dos seus défices». E tudo «sem afectar o crescimento». O que, no caso
português, como destacou o o economista Ricardo Reis, vai ser difícil. Jamie Robertson vai mais longe: na Grécia, em Portugal,
Espanha «e outros países endividados vai ser impossível».
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