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Qual é o risco de Portugal copiar a Grécia?

Economistas garantem que economia nacional tem um pesado problema de falta de crescimento. Risco de contágio grego intensifica-se pela turbulência dos mercados e consequente subida das taxas de juro

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Portugal tem estado sob os «holofotes» mediáticos internacionais, empurrado pelo abismo financeiro da Grécia. Os receios dos investidores deixam um rasto difícil de apagar nos mercados, com as bolsas sempre à procura de rumo incerto. Mas, afinal, qual é o risco de Portugal se transformar na próxima Grécia?

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«O problema grego é um problema clássico de finanças públicas» e em Portugal o problema não toma essas proporções. A ressalva é feita pelo professor português da Universidade de Columbia, Ricardo Reis, em entrevista à «Folha de S. Paulo».

Portugal não alcança o clímax grego, mas tem, sim, vários problemas. A começar pela subida do défice, de 2,7% para 9,4% que, segundo o economista se deve às «eleições - e o resultante aumento de algumas despesas públicas e a relutância em subir impostos - e [à] crise». Mas «se os actuais planos do Governo se mantiverem, não será difícil chegar pelo menos a um défice de 4% nos próximos dois a três anos», declarou.

Contudo, os problemas não se ficam por aqui. O maior é mesmo «o pouco crescimento. Isso implica que o país no seu todo, e não só o sector público, se tem endividado na última década e depende do financiamento externo para manter os seus níveis de consumo». E, no médio prazo, se Portugal não crescer, terá «de facto grandes dificuldades em pagar as suas dívidas».

Só que os mercados não têm dado margem de manobra à economia nacional. O risco actual de Portugal ser a próxima «vítima» intensifica-se porque «os mercados, preocupados com o problema grego exagerem na sua reacção aos problemas portugueses, precipitando uma crise». Pior, «se as taxas de juro continuarem a subir», podem «chegar a níveis incomportáveis no curto prazo, precipitando já uma crise» com nome luso.

Vem aí uma «espiral da morte»?

A palavra «crise» tem, no entanto, «origem grega», como refere o analista da BBC, Jamie Robertson. E é também «um termo médico para descrever o ponto de viagem de uma doença antes da recuperação». Espera-se que esse ponto de viragem aconteça com a ajuda de 110 mil milhões de euros à Grécia em resultado do esforço conjunto entre a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional.

Certo é que a pressão sobre «o capital e os mercados de títulos» tem atingido «uma ferocidade desproporcionada». «A maré virou» e os ministros das Finanças da Zona Euro e o FMI tiveram de entrar em acção para acalmar os mercados. Mas as sessões têm sido muito voláteis. Os receios de contágio não se dissiparam.

Jamie Robertson repesca, por isso, uma ideia-chave que serviu de alerta para o mundo: «A Grécia encontra-se numa espiral de morte» no que diz respeito ao crédito. O aviso, do professor de finanças da Universidade George Mason, Anthony Sanders teria virado realidade «se os mercados vissem a zona euro e o FMI a serem incapazes de ajudar a Grécia». Isso «rapidamente» se teria traduzido «na venda da dívida portuguesa e espanhola». E «a espiral da morte ia começar a girar outra vez».

A Grécia está sob tensão económica, financeira e social, reflectindo as fortes medidas de austeridade que terá de levar a cabo nos próximos anos. Mas elas são também, refere este analista, «um lembrete» de como «muitas economias ocidentais têm de lidar com a redução dos seus défices». E tudo «sem afectar o crescimento». O que, no caso português, como destacou o o economista Ricardo Reis, vai ser difícil. Jamie Robertson vai mais longe: na Grécia, em Portugal, Espanha «e outros países endividados vai ser impossível».

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