Portugal tem 70% de probabilidade de pedir 2ª resgate
Opinião é de 20 economistas. Mercados pressionam e juros da dívida pública renovam máximos
- PorRita Leça
- 2012-01-26 15:28
Novo dia, novo máximo. Os juros da dívida pública nacional a 10 anos voltaram à escalada e atingiram esta quinta-feira
o valor mais elevado de sempre: 15,16 por cento.
Isto, precisamente, no dia em que um conjunto de 20 analistas contactados
pela Reuters disse que Portugal tem 70% de probabilidade de pedir uma nova ajuda internacional.
Para os especialistas,
Portugal - juntamente com a Grécia, Espanha e, em menor grau, na Irlanda - vai sofrer mais dois anos de severa austeridade,
afastando-se cada vez mais dos países mais fortes da União Europeia, como a França e a Alemanha.
Um cenário «negro»
facilmente explicado por esta poll com a exigência dos líderes europeus em cumprir as metas de crescimento e criação
de emprego através de uma forte austeridade, redução da despesa e aumento de impostos, limitando o leque de soluções possíveis
para os países em dificuldades.
Assim, os 20 economistas apontam para uma recessão de 3,2% este ano, ficando a zeros
em 2013. Em Novembro, esta poll apontava para uma recessão de 2,9% em 2012 e de 0,9% no próximo ano.
Previsões
que também afectam os juros exigidos nas maturidades a curto prazo: no caso dos Bilhetes do Tesouro a cinco anos, as yields
atingiram os 20,34%. Na dívida a 3, 4, 6, 7 e 8 anos, os juros rondam os 20%, de acordo com os dados da Reuters.
Isto
ao mesmo tempo que o spread exigido pelos investidores para comprarem dívida portuguesa em vez da alemã, considerada
de referência para a Europa, acentua a curva de subida, iniciada a 24 de Janeiro. Hoje toca o diferencial toca os 1.321 pontos
base, mais 71 pontos do que ontem.
Na passada terça-feira, precisamente dia 24, o «Wall Street Journal» escreveu
que está a aumentar o receio entre economistas, investidores e políticos de que Portugal seja mesmo obrigado a pedir um segundo
resgate internacional.
Receios sobre os quais Passos Coelho primeiro garantiu que eram infundados - «Não vamos pedir mais dinheiro, nem
mais tempo» - para depois acrescentar que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional deixaram claro que «não deixariam
de prestar todo o auxílio que fosse necessário».
Uma porta aberta que agrava a pressão dos mercados de dívida, já
de si preocupados com o futuro da Grécia, em discussão na próxima cimeira europeia, agendada para a próxima segunda-feira.
Por isso, a escalada dos juros atinge a dívida dos outros países periféricos: os juros da dívida de Itália a 10
anos já superam os 6%, pela primeira vez desde 8 de Dezembro, a de Espanha ronda os 5,39%, enquanto os da Grécia a 10 anos
disparam para os 37,69%.
«Portugal e a Grécia vão sofrer uma forte recessão, independentemente do que os líderes
políticos decidam, nas próximas semanas ou meses, para salvar a Zona Euro», disse Ben May do Capital Economics, citado
pela Reuters.
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