BCE: dívida pública valerá menos se «ratings» descerem
Isto apesar do BCE ter afirmado que vai aceitar dívida portuguesa mesmo depois de considerada «lixo» pela Moody`s
- PorRedacção RL
- 2011-07-07 17:15
A decisão do BCE de suspender o rating mínimo aceitável dos títulos de dívida soberana portuguesa permitirá aos
bancos continuar a utilizá-los como garantia para se financiarem junto da instituição. Mas há um senão: os descontos nas garantias
serão maiores.
A decisão foi anunciada esta quinta-feira pelo presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet,
que indicou ainda que esta é «uma resposta imediata» ao corte de rating de Portugal, aplicado pela Moody`s, em quatro
níveis, para «lixo».
No entanto, como já acontecia até ao limite que o BCE impunha a Portugal - e ainda impõe aos
restantes países da Zona Euro, com excepção da Grécia e Irlanda -, os colaterais (garantias) entregues pelos bancos nas operações
de refinanciamento junto do BCE são sujeitos a um haircut (desconto) que vai aumentando, consoante o rating
for descendo, refere a Lusa.
Bancos vão ter de dar mais colaterais ou dinheiro
Uma vez que o BCE
considera a melhor notação de quatro agências - Moody`s, Standard & Poor`s, Fitch e DBRS - quando calcula o valor das garantias
dadas é necessário que todas desçam o rating de Portugal para o nível da Moody`s para ser aplicado uma nova desvalorização.
Quando
os bancos se financiam junto do BCE entregam como garantia diferentes activos. Mediante o melhor rating destas quatro
agências, o BCE atribui um valor a esse colateral. Um corte de rating de todas as agências implica que esses activos
irão valer menos, e assim, os bancos ou têm de entregar mais colaterais para o mesmo empréstimo ou cobrir essa diferença em
dinheiro.
Assim, apesar de continuar a aceitar os títulos de dívida soberana portuguesa, ou garantida pelo Estado,
à medida que o melhor rating for diminuindo, o BCE publicará o aumento no valor dos haircuts (descontos ou desvalorizações)
que vai aplicar nos colaterais que aceita.
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