Nobel: China deve emprestar dinheiro à Europa, mas...
...só através do FMI, defende Robert Mundell
- PorRedacção RL
- 2012-02-23 15:49
A China só deve emprestar dinheiro à Europa através do Fundo Monetário Internacional (FMI). A opinião é do Nobel da Economia
Robert Mundell, também conhecido como «pai do euro», numa palestra em Macau, no dia em que também disse que «Portugal vai precisar de um novo resgate».
«Não acho que a China deva dar dinheiro
à Europa, porque ao fazê-lo ainda vai colocar os países europeus numa dívida maior do que aquela em que já estão».
Para
o Nobel da Economia, «a melhor forma de [a China] o fazer é através do FMI, sobretudo porque assim pode colocar a sua moeda
no fundo e obter em troca SDR [Direito Especial de Saque] que não depreciam tanto como o dólar».
Quanto ao impacto
da crise da dívida europeia na economia asiática, e em particular na da China e Macau, Robert Mundell não prevê maiores
efeitos do que os já produzidos.
«A China vai continuar a crescer e Macau também é uma economia com boas perspetivas
porque tem uma indústria de jogo bem sucedida».
No caso da China, apesar da diminuição das suas exportações devido
à queda da procura europeia, há sempre a oportunidade de «aumentar o consumo interno».
«Vai haver redução nas
exportações, mas a China tem os recursos necessários para fazer face aos excedentes. O consumo representa apenas 40 por
cento do Produto Interno Bruto chinês», disse, citado pela Lusa, esperando ajustes do próximo governo.
Por outro
lado, a dependência do jogo torna a economia de Macau vulnerável à desaceleração económica que se está a verificar
na Europa, considerou, sugerindo que «é preciso diversificar a economia para se estar preparado».
«É bom ter uma
almofada, mas tirando isso, Macau está em boa forma».
Robert Mundell constatou também a subida da inflação
na região, mas negou que fosse uma boa ideia a indexação da pataca ao yuan.
O facto de a moeda chinesa não ser convertível
é um dos argumentos de peso do «pai do euro» para que Macau mantenha a pataca indexada ao dólar de Hong Kong, que por sua
vez está indexada ao dólar americano.
«Sei que os preços [dos bens] têm subido e que os preços das casas estão a
subir entre cinco a dez por cento. Isso podia ser uma preocupação porque não queremos uma nova bolha do imobiliário
e mais especulação nos investimentos. Há algum risco, mas penso que seria um erro mudar a indexação para o dólar».
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