2011: quais serão as melhores apostas para o seu dinheiro?
Este vai ser um bom ano, embora não pareça. Saiba no que deve apostar e porquê
- PorPaula Gonçalves Martins
- 2011-01-26 20:27
Apesar de todos problemas que ensombram 2011 - da crise da dívida europeia à possível recessão na economia nacional - este
vai ser um ano de boas oportunidades de negócio. E, acredite ou não, a crise até pode dar uma ajuda ao seu pé-de-meia.
Numa altura em que tudo parece tão cinzento, abrem-se boas oportunidades de investimento. Por exemplo: «Há muito ruído,
muitas parangonas sobre a crise das dívidas soberanas e dos pacotes de austeridade que nos distraem do que são desenvolvimentos
positivos nas economias e nos mercados», considera o responsável da Schroders para os mercados de acções europeus, Chris Taylor.
Em entrevista à Agência Financeira, o responsável considera que «se nos concentrarmos nesses sinais positivos,
vemos que existem boas oportunidades nas acções europeias».
Apesar de os países da Zona Euro estarem a sair da crise
e a recuperar a duas velocidades distintas (de um lado a Alemanha, Suíça e os países nórdicos, onde a economia cresce e o
desemprego começa a baixar e do outro os países mais frágeis, como Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia, Itália, etc.), a verdade
é que há países do euro onde a economia está a crescer, as condições de emprego estão a melhorar e a confiança está a recuperar.
E há ainda o caso dos países emergentes europeus, onde há espaço para um forte crescimento, como a Polónia e a Turquia.
Ou seja, lá porque Portugal não vende saúde, não quer dizer que esteja tudo perdido. «Tendemos a meter tudo no mesmo
saco, mas não há só uma verdade e para os investidores, isso pode significar uma boa oportunidade», explica.
Além
da melhoria nas condições económicas na Zona Euro como um todo, há ainda um sinal muito positivo, que chega dos resultados
empresariais. «O mundo empresarial está de muito boa saúde. As empresas têm balanços fortes, boa geração de cash flow,
com bons yields. Se é verdade que as empresas se foram abaixo muito depressa, também é verdade que a retoma será igualmente
rápida, mais do que em crises anteriores», garante.
Com os resultados a crescerem e com perspectivas de se manterem
assim, o responsável diz que «o fundamental é que as potenciais valorizações são muito atractivas e o ruído todo em torno
da crise de dívida soberana esconde esse potencial».
«Podemos tirar partido desta situação porque haverá empresas
expostas a crescimento económico fora do seu ambiente doméstico, que pode não ser tão bom», refere.
Chris Taylor
explica que, no caso português, as perspectivas macroeconómicas a nível interno não são muito boas e, por isso, as empresas
portuguesas orientadas apenas para o mercado interno, enfrentam condições são muito duras.
Mas há empresas que,
sendo sediadas em países com fraca performance económica, como Portugal, e que por isso são penalizadas na sua avaliação,
estejam na verdade expostas a outros mercados com maior crescimento, o que eleva o seu potencial, tornando-as num bom investimento.
Pelo contrário, algumas empresas de países economicamente mais robustos, como a Alemanha, já cresceram durante os últimos
tempos, por isso, esgotaram maior parte do seu potencial de valorização.
«O stress que vemos em alguns destes países
pode criar oportunidades. À medida que se aproxima uma maior estabilidade, é possível encontrar bons casos de investimento
em Portugal, exposta a outros mercados além do interno, com margem para valorizar e que está na verdade a negociar com desconto».
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