Mercados

Juros recorde nos 8,5% com crise política ao rubro

Obrigações do Tesouro a cinco anos estão imparáveis

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É uma reacção esperada por parte dos mercados, tal como a OCDE já tinha antecipado. Os juros da dívida dispararam para um novo recorde a cinco anos, às 7h40, nos 8,363%. E já acentuaram a escalada: o novo máximo é de 8,401%, alcançado às 8h22. Recorde atrás de recorde, os juros subiram para os 8,422% às 08h28 e para os 8,444% às 8h38. Minutos depois, chegou a vez dos 8,445%, dos 8,455%, dos 8,465%, 8,47% e 8,509% - sucessivos valores máximos desde a entrada de Portugal no euro. O nervosismo e o stress estão instalados depois do chumbo do PEC 4 e da demissão consequente do primeiro-ministro.

Também as Obrigações do Tesouro a 10 anos estão em níveis perigosos. Hoje já chegaram aos 7,977%, negociando agora nos 7,943%.

A escalada é generalizada mesmo nos prazos mais curtos. Os juros a dois anos negoceiam nos 7,05%, a três anos nos 7,71% e a quatro anos nos 7,88%, por exemplo.

O spread, ou seja, a diferença entre o que os investidores cobram para adquirir títulos de dívida nacionais a 10 anos, em detrimento dos alemães, (que são, de resto, os que servem de referência) está imparável, nos 471,6%. Este indicador não tem parado de subir desde o início desta semana, uma semana que se sabia decisiva para o rumo de Portugal.

Na Irlanda e na Grécia, países que já foram socorridos, os juros continuam em níveis máximos. No primeiro caso, negoceiam nos 10,13% e no segundo nos 12,65%.

Com a crise política, económica e social ao rubro, o primeiro-ministro chega esta sexta-feira a Bruxelas para uma cimeira europeia importante já demissionário, embora o Presidente da República só aceite formalmente o pedido depois desta reunião entre os líderes europeus.

Se inicialmente se esperavam soluções decisivas desta cimeira europeia, soube-se ontem que os líderes da União Europeia estão preparados para adiar a decisão sobre o fortalecimento do fundo de resgate europeu para depois da do encontro, penalizando ainda mais a confiança dos mercados e prolongando a crise do euro. Os efeitos já se estão a fazer sentir. Os mercados não tréguas a Portugal. O descrédito é cada vez maior.

[Notícia actualizada às 9h05 com novos máximos]

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