Barroso contra Moody`s promete reacção europeia
Decisão de baixar rating de Portugal só acrescenta especulação. Criar agência europeia é «possibilidade»
- PorRedacção VC
- 2011-07-06 11:37
O presidente da Comissão Europeia está contra a decisão da Moody`s, que cortou o rating de Portugal em quatro níveis, colocando
o país na categoria «lixo». Durão Barroso encorajou o país a
«prosseguir no rumo definido pela Comissão Europeia, BCE e FMI».
O corte de rating só «acrescenta elementos especulativos
à situação da dívida na Zona Euro», pelo que a União Europeia vai «reforçar», a partir de agora, a «regulamentação sobre as
agências de rating».
Diz Durão Barroso que «queremos reduzir a dependência» em relação a estas agências, «olhar
para as questões de responsabilidade civil».
O presidente da CE adiantou ainda que há a possibilidade de ser criada
uma agência de rating europeia.
O Estado e as empresas portuguesas pagam 9
milhões de euros por ano a estas entidades.
«Timing da decisão foi extremamente infeliz»
A
Comissão Europeia reprova a decisão da Moody`s, uma vez que o momento deste anúncio é «questionável» e está baseado em «cenários
hipotéticos», disse por sua vez o porta-voz do comissário europeu para os Assuntos Económicos, citado pela Reuters.
Mais:
as agências de rating não estão a promover a clareza, estão antes a gerar «incerteza».
Para o porta-voz de Olli Rehn,
o «timing» da Moody`s foi «extremamente infeliz», já que aconteceu dias depois de o Governo ter anunciado medidas de austeridade
suplementares.
«Não só as autoridades portuguesas começaram agora mesmo a implementar o programa de assistência,
como até vão mais longe».
Apontando que, normalmente a Comissão não comenta ratings dos países, Amadeu Altafaj disse
que, «todavia, este caso em particular contrasta bastante com o início determinado da implementação do programa pelas autoridades
portuguesas, que até anunciaram medidas adicionais àquelas negociadas».
Amadeu Altafaj lembrou que a primeira
revisão da implementação do programa terá lugar apenas no final de Agosto, pelo que «o timing da decisão da Moody`s é não
só questionável, mas também baseado em cenários absolutamente hipotéticos que não estão de algum modo em linha com o programa
económico».
Este é «um episódio infeliz, que levanta mais uma vez a questão do comportamento das agências de notação».
As avaliações mais precisas, transparentes e objectivas são aquelas que são realizadas por Comissão Europeia, Banco Central
Europeu e Fundo Monetário Internacional, três instituições internacionais independentes que são «fiáveis».
«São
as equipas de especialistas destas três instituições que discutiram durante semanas e meses (com os países envolvidos em processos
de assistência) para preparar programas e que viajam todos os trimestres para os países e analisam exaustivamente a implementação»
das medidas acordadas.
O BCE, por sua vez, remeteu
uma posição sobre a decisão da Moody`s para a restante troika - para a Comissão Europeia, que agora se pronunciou, e para
o FMI.
A Moody`s, a agência que está o centro das atenções mediáticas de hoje, tem dúvidas quanto à capacidade de
Portugal conseguir cumprir as metas do défice definidas com a troika.
Mais ainda: ela não põe de parte a hipótese
de o país vir a ser resgatado uma segunda vez. Uma análise que
a maior economia europeia, a Alemanha, julga ser «prematura».
Entretanto, sucedem-se as reacções ao corte de rating
protagonizado pela Moody`s. O presidente da CGD, por exemplo, já veio classificar a decisão de «imoral» e «insultuosa».
Mal ou bem, o corte já está feito e, na sequência desta
revisão em baixa, os investidores poderão ver-se forçados a vender obrigações.
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