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Eurogrupo quer que se perdoe uma parte da dívida grega

É o mínimo necessário

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Será preciso perdoar pelo menos metade da dívida da Grécia detida pelos privados. É esta a proposta dos ministros das Finanças da Zona Euro, que estiveram reunidos em Bruxelas na sexta-feira, marcando o início de uma verdadeira «maratona» de encontros europeus para encontrar soluções mais definitivas para a crise da dívida.

Os líderes europeus acordaram assim pedir aos bancos privados credores de Atenas para que façam esse desconto na dívida que falta reembolsar, num país que está a um passo da bancarrota. «Pelo menos 50 por cento são necessários», disse fonte diplomática à agência AFP.

O presidente do Eurogrupo já veio entretanto confirmar que os ministros chegaram a «acordo, na sexta-feira, sobre o facto de que nós devemos ter um aumento substancial da contribuição dos bancos no resgate da Grécia, sob a forma de depreciação dos seus créditos». Jean-Claude Juncker falava à margem da reunião dos ministros das Finanças da UE, que decorre este sábado, sem que tenha no entanto adiantado montantes.

«É bastante claro que precisamos de uma redução substancial da dívida grega», reforçou também o ministro das Finanças da Suécia, Anders Borg.

Note-se que Juncker tinha alertado ontem para a imagem «desastrosa» que a Zona Euro está a passar na resolução da crise da dívida.

Voltando ao Eurogrupo, os ministros basearam-se num relatório da troika que negociou a ajuda financeira à Grécia para estas conclusões e deram também «luz verde» à nova tranche de ajuda ao país.

O documento da troika prevê que o perdão da dívida seja precisamente de, no mínimo, 50%, para não ter de se aumentar o montante dos empréstimos a conceder.

Em contrapartida, os especialistas previram uma capitalização dos bancos europeus num montante de 100 mil milhões de euros.

Valor dos empréstimos terá de aumentar

Em Julho, um acordo foi estabelecido com os bancos para que aceitassem uma desvalorização de 21% sobre o valor das obrigações gregas. Mas a situação do país agravou-se, obrigando a uma revisão de todo o programa.

No caso de esta medida ir avante (50% de perdão), o valor dos novos empréstimos prometidos à Grécia em Julho, de 109 mil milhões de euros, será aumentado para 114 mil milhões, já que para manter o montante de 109 mil milhões de euros seria necessário um perdão da dívida de 60%.

A dívida pública grega, de mais de 350 mil milhões de euros, representa 162% do Produto Interno Bruto, um valor considerado insustentável. A este ritmo, o país irá precisar, no melhor dos cenários, de empréstimos de 250 mil milhões até 2020.

Reestruturação não é consensual

A reestruturação da dívida grega não é pacífica entre os membros da troika. O BCE continua a temer que isso lance o pânico nos mercados e arraste países e bancos da Zona Euro.

Para cortar a dívida da Grécia, é preciso reforçar o fundo financeiro europeu, mas Alemanha e França têm soluções diferentes. Paris quer ligar o fundo ao banco central europeu, que tem recursos ilimitados. Só que essa ideia está fora da mesa, por razões legais e políticas: Alemanha e banco central são contra.

Sobra a complexa proposta alemã de transformar o fundo europeu num espécie de seguradora capaz de garantir aos investidores parte das perdas em novas emissões de dívida de países em dificuldades.

À entrada do Ecofin, a Grécia fez questão de frisar que não é o problema central da Zona Euro.

Os líderes europeus voltam a reunir-se hoje à tarde e a será precisamente a Grécia a dominar a reunião, que terá lugar imediatamente após a reunião desta manhã.

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