MAIS RECORDES: défice agrava escalada dos juros
Cinco prazos acima dos 9%
- PorRedacção VC
- 2011-03-31 18:15
Sempre, sempre a subir. Os juros da dívida pública têm estado imparáveis, renovando máximos sucessivos. Até algumas maturidades
de curto prazo têm já juros mais altos do que as de longo prazo. Isto indica que os mercados
já nem na capacidade de Portugal em pagar um empréstimo de curto prazo confiam.
Já está mesmo «tudo pronto» para o resgate. Falta só o Governo decidir-se pelo pedido de ajuda.
Fasquia
dos 9% superada em cinco prazos
A revisão em alta do défice de 2010 veio agravar a escalada, com recordes atrás de recordes. Já há cinco prazos
acima dos 9%.
Os juros a cinco anos têm protagonizado uma forte escalada nas últimas sessões, tendo batido recordes
atrás de recordes - o valor mais alto desde que Portugal entrou no euro é agora de 9,669% e foi já alcançado depois de conhecidos
os números do défice.
Nas restantes maturidades há também valores nunca antes vistos: os juros a três anos já tocam
os 9,951%, a quatro e a seis também também já superam essa barreira, rondando os 9,5%; as Obrigações do Tesouro a sete anos
romperam hoje pela primeira vez a mesma fasquia, negociando já nos 9,29%. Os juros a oito anos também já estão nos 9,23% e
os juros a nove anos para lá caminham, estando praticamente colados aos 9%.
Na maturidade a dois anos já
foram alcançados máximos sucessivos esta quinta-feira - o último foi nos 8,86%.
Também as Obrigações do Tesouro
a 10 anos fixaram um novo recorde: já vão nos 8,773%.
«Spread» face à Alemanha também atinge recorde
Com
este cenário, não é de admirar que a diferença entre o que os investidores cobram para adquirir dívida portuguesa em detrimento
da alemã seja cada vez maior. O chamado spread atingiu mesmo um recorde de 533,4 pontos base. Para se ter uma ideia
do agravamento, há cerca de duas semanas rondava os 430.
Na Alemanha, os juros estão nos 3,3%, numa trajectória que
se tem mantido estável. Por cá, a curva é sempre ascendente. Aliás, no espaço de três meses, os juros da dívida soberana dispararam 34%.
Os avisos e as pressões sobre Portugal
repetem-se. A agência de notação financeira Fitch veio ontem dizer que ou pedimos ajuda, ou a nossa avaliação pode baixar. A ameaça já começa a ter efeitos: a CGD
já levou com um corte de rating em dois níveis.
[Valores actualizados]
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