Portugal vende mais dívida mas juros disparam
Investidores cobram quase o dobro para adquirir títulos de dívida portugueses
- PorRedacção VC
- 2011-04-01 09:43
Portugal foi esta sexta-feira ao mercado emitir dívida num leilão extraordinário. O Estado conseguiu colocar 1.645 milhões
de euros de Obrigações do Tesouro com maturidade a Junho de 2012, mas os juros dispararam quase o dobro. O FMI já diz que
«só um milagre» pode evitar o pedido de ajuda externa.
Neste novo teste ao financiamento
do país, a taxa média ponderada foi de 5,793% quando no último leilão com as mesmas características (realizado em Julho de
2010) os juros cobrados foram de 3,159%, segundo o Instituto da Gestão da Tesouraria e Crédito Público.
O montante
indicativo era de 1.500 milhões de euros. Apesar de ter conseguido vender mais dívida do que o sinalizado, a verdade é que
o cerco aperta cada vez mais para Portugal.
É que, para além de os juros terem disparado mais de 2,6%, a procura
diminuiu em relação à emissão que serve aqui de referência; embora tenha superado em 1,4 vezes a oferta, ficou bem abaixo
da procura do leilão anterior (2,3 vezes).
O IGCP quis por outro lado salientar, citado pela Reuters, que os juros
exigidos pelos mercados neste leilão ficaram muito abaixo dos juros cobrados no mercado secundário, onde os recordes se repetem a um ritmo cada vez mais alucinante. Ali os juros a um ano já superaram
hoje os 8,5%.
O Ministério das Finanças diz que o Governo quer continuar a emitir dívida e que vai fazer todos os esforços para se financiar
nos mercados.
As condições de acesso de Portugal aos mercados de financiamento têm-se vindo a deteriorar com a crescente
instabilidade política que se vive em Portugal e também por causa da grande pressão sobre o país para pedir ajuda externa.
Portugal
é olhado pelos analistas como o «elo mais fraco», a seguir à Grécia e à Irlanda que já receberam a temida visita do Fundo
Monetário Internacional. O Governo agora demissionário, nas palavras do ministro das Finanças, passa a bola do pedido de ajuda para o Presidente da República.
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