Alegre: «Nunca fui dar o nome à PIDE a dizer que tinha bom comportamento»
Candidato critica Cavaco Silva e critica iniciativa do actual Presidente: «A pobreza não é um problema que se resolva com restos de restaurantes»
- PorRedacção
- 2010-12-12 20:28
Manuel Alegre defendeu que as próximas eleições presidenciais são «porventura as mais importantes desde o 25 de Abril»
e criticou directamente Cavaco Silva, afirmando nunca ter dado «o nome à PIDE a dizer que tinha bom comportamento».
«Querem
fazer-nos crer que Cavaco Silva já está eleito, não está, porque em eleições democráticas não há vencedores antecipados, não
há coroações. Eu nunca fui dar o meu nome à PIDE a dizer que tinha bom comportamento, eu sou um resistente à ditadura, fui
um combatente pela democracia, de todas as horas e de todos os tempos», afirmou Manuel Alegre, numa crítica ao seu adversário.
O
candidato à Presidência da República apoiado pelo PS e pelo BE, que discursava em Lisboa, durante o lançamento do «Movimento
Já», um movimento de jovens de apoio à sua campanha presidencial, referia-se a um artigo publicado há semana pela revista
«Sábado» onde se revelava um «formulário pessoal pormenorizado» para a PIDE preenchido por Cavaco Silva durante o Estado Novo,
onde se lê «integrado no actual regime político» no que respeitava à sua «posição e actividades políticas».
«Pobreza
não se resolve com restos de restaurantes»
Manuel Alegre acusou ainda Cavaco Silva de utilizar a pobreza para
«fazer campanha eleitoral», afirmando que não é um problema «para ser tratado no Casino do Estoril» mas sim «resolvendo os
problemas estruturais do país».
«[A campanha] É uma luta muito difícil, muito desigual, muito desigual, porque há
quem não queira que haja campanha e há quem esteja a fazer campanha sem a fazer, aparecendo todos os dias na televisão como
Presidente da República. Mas eu estou habituado a combates desiguais, eu sou um resistente e um combatente de sempre e por
isso tenho confiança de que com o vosso apoio, das mulheres, dos trabalhadores, dos jovens empresários, daqueles que querem
mudar o nosso país e construir o futuro e, sobretudo, com o apoio da juventude, vai ser possível», disse.
Na sua
intervenção, Manuel Alegre manifestou-se «chocado» com as palavras do Presidente da República, que na sexta-feira considerou
que os portugueses têm de se sentir «envergonhados» por existirem em Portugal pessoas com fome, um «flagelo» que se tem propagado
pelos mais desfavorecidos de forma «envergonhada e silenciosa».
«Nós somos um país que tem um problema estrutural,
que é o problema da pobreza, apesar da nova geração de políticas sociais deste Governo, a pobreza estrutural é ainda muito
forte, temos 18 por cento de portugueses que vivem no limiar da pobreza, e se destruíssem as prestações sociais poderiam passar
a ser 40 ou mais, esse é um problema muito grave, mas não é um problema para poder ser aproveitado para campanha eleitoral»,
afirmou.
O candidato presidencial acrescentou ainda que este «não é um problema para ser tratado no Casino do Estoril»,
local onde Cavaco Silva esteve e fez aquela declaração.
«Não é um problema que se resolva com restos de restaurantes,
essas são imagens que me chocaram, o problema da pobreza resolve-se resolvendo os problemas estruturais do país e esse é um
problema que não é susceptível de poder ser aproveitado por um Presidente da República para fazer a sua campanha eleitoral»,
acusou.
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